segunda-feira, 21 de março de 2011

Sementeiras

Hoje fiz mais 10 sementeiras em latinhas de coca-cola. 2 de pêssego, 2 de ameixas, 2 de ipê branco, 1 de mogno, 1 de pata-de-vaca branca e 2 de pau-ferro. De 2 a 4 sementes de cada espécie por lata. Usei o torquês para quebrar as sementes das frutas e para lascar, com um belisco pequeno, a casca das de pau-ferro.

Tirei o topo das latas e fiz um único furo no fundo de cada uma. Forrei o fundo com um substrato à base de húmus e fragmentos de bagaço de cana, que também usei para cobrir as sementes. A idéia da cobertura é absorver o impacto da água da rega e manter a umidade, ainda que ventilada. A terra é uma preparada, com húmus e calcário. As duas coisas compradas em saquinhos no supermercado... não tenho acesso à terra do chão aqui em Brasília.

Nas anteriores, com quase 2 meses, 10 mudas de cacau (2 por lata, acho que tenho que escolher uma em cada, mas ainda não me decidi a sacrificar a outra), 1 de pau-ferro (as outras sementes não foram escarificadas, apenas uma, acidentalmente) e várias de tomate-cereja. Desbastei o tomate, deixando apenas 4 mudinhas.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Bom é suficiente

Uma versão mais simpática de "o ótimo é inimigo do bom".

Tem muitas coisas que eu faço pouco e faço sem publicidade, em boa parte por causa do perfeccionismo. Então um artigo lido num momento de passar tempo pergunta: "o que você faria se não tivesse que ser perfeito?" Aí vão algumas:

Compor e tocar, para violão e baixo.
Desenhar e pintar.
Cultivar comida e compostar restos.
Escrever ficção e pensamentos.

Eu faço tudo isso, ocasionalmente ou em minúscula escala e não mostro para quase ninguém. Hora de mudar.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Ela adora macarrão

Tem dia que não quer comida nenhuma, só mamadeira - mas se tiver macarrão ela topa, até mesmo logo depois de mamar. Tinha de ser macarrão hoje - pouca opção na geladeira, nos armários, o horário passando.

A água já estava quase fervendo, um pouco menos de meio pacote de penne, sobra do jantar de outro dia, esperando ao lado; Mariana impaciente, agitada para driblar o próprio sono, já que tinha dormido mal a noite anterior e não havia tirado a soneca da tarde, hoje, a ajudante prestes a ir embora... e não tinha nem alho nem tomates para molho.

Tinha uns tomatinhos pequenos, de umas três ou quatro variedades, que eu havia acabado de colher no quintal. Agora, com a seca os besouros-de-botas, com suas patas traseiras largas, deram um tempo, estão procriando menos, quase não encontro suas pupas vermelhas, quase só adultos - e algumas larvas dentro dos frutos. Ela adora comê-los de aperitivo. Logo que começou a dar os primeiros passeios no quintal, há um ano, ela já colhia e comia ali mesmo tomates de todo tipo. Às vezes não dava nem tempo de passar uma água nem ver se tinha bicho - poeira e bicho eram parte do sabor e da textura. Depois da última estação chuvosa, os bichos aumentaram muito e passamos a controlar um pouco mais. Lavei e parti os tomatinhos ao meio e ela se distraiu um pouco.


Botei o macarrão na água e corri na horta para pegar umas folhas de couve e ainda tive que dar uma paradinha para esmagar uns ovinhos amarelos de lagarta, ô bichinho intenso essa borboleta amarela que procria efusivamente o ano todo, e algumas lagartinhas já devorando as pontas de uma folha. Cada postura tem de 20 a 50 ovos militarmente enfileirados e grudados de pé, feito ovos de Colombo, e quando eclodem, se deixar, devoram o pé inteiro em um ou dois dias.

Lavei as folhas recem-colhidas, pra tirar a poeira de terra seca - este ano tem menos, acabaram de asfaltar a rua - e os pulgões, outra praguinha constante das couves - mas estes fazem menos estragos, uma planta formada até aguenta uma colonização leve, lavada com esguicho e passadas de mão duas vezes por semana... Lavei as folhas, enrolei feito charuto e piquei na tábua de madeira, primeiro em discos, depois em pedacinhos, pois os filetes dos discos são difíceis para ela mastigar.

Depois de comer um bom tanto dos tomatinhos, ela achou a cesta onde estavam os outros e brincou de jogar todos pra cima... e depois, de pisar em alguns. Hoje ela não quis brincar de recolher e guardar.

Tinha castanhas do pará, ralei e botei na frigideira com azeite. Um pouquinho de sal e um tanto de gergelim. Refoguei a couve, esperei o macarrão cozinhar e o fritei em meio a este refogado.

Servi o prato dela e piquei cada peça ao meio, para facilitar com a colher e a boquinha dela. O queijo ralado que havia era um de segunda, que por aqui não é tão fácil encontrar dos melhores, mas ela gosta não apenas do queijo, mas do ato de polvilhá-lo com os dedos sobre o prato. Bom, agora estou lembrando que tem um pedaço de melhor qualidade, podia ter ralado num prato e dado a ela. Mas na hora, esqueci.

Ela comeu até o fim, depois pediu música para dançar e, por fim, colo e cama - com mamadeira e livrinhos de figuras.